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WhatsApp Business para médicos: como configurar o do consultório
Por Thiago Hilário · Atualizado em
O WhatsApp Business é um aplicativo gratuito, separado do WhatsApp comum, feito para pequena empresa. Para o consultório, ele resolve boa parte do atendimento sem custo: perfil com endereço e horário, resposta automática fora do expediente, textos prontos e uma forma de separar as conversas.
Esta página mostra o que configurar em cada recurso, onde o app para de dar conta e quando faz sentido pensar na versão paga, a API. Os recursos e os limites citados foram conferidos na Central de Ajuda do WhatsApp em 24 de setembro de 2026.
O que configurar no primeiro dia
Perfil comercial
Endereço, e-mail, site e horário de atendimento aparecem para quem abre a conversa. É também o lugar da identificação que a norma pede, como está mais abaixo. Preencha tudo: o app usa esses dados para criar respostas prontas com endereço e horário.
Mensagem de saudação
Sai sozinha na primeira mensagem de alguém e de novo depois de 14 dias sem conversa. Serve para dizer em que horário a recepção responde e o que a pessoa já pode mandar, como nome e convênio. Não serve para responder a pergunta dela, porque ainda não se sabe qual é.
Mensagem de ausência
Pode sair sempre, num horário programado ou só fora do horário de atendimento cadastrado no perfil. No consultório, a terceira opção é a que faz sentido: o paciente que escreve às dez da noite fica sabendo quando vai ter resposta, em vez de achar que foi ignorado.
Respostas rápidas
Até 50 textos salvos, chamados com uma barra na caixa de mensagem. É onde moram as respostas das perguntas que mais chegam: valor da consulta, convênios, endereço, preparo. A secretária deixa de redigir cada uma na hora e todo paciente recebe a mesma informação.
Etiquetas, que estão virando listas
Até 20 etiquetas, com nome e cor, para separar as conversas. Um jeito que funciona: novo contato, aguardando retorno, consulta marcada, pós-consulta. No fim do dia, a etiqueta de aguardando retorno mostra quem ficou sem resposta. A Central de Ajuda avisa que as etiquetas estão sendo trocadas por listas aos poucos, então o nome na tela pode mudar.
Catálogo
Vitrine de produtos e serviços dentro do perfil, que pode ser enviada na conversa. Para consultório, cabe listar os tipos de consulta. Procedimento com preço é outra conversa, e a norma entra nela.
Resposta rápida bem escrita resolve metade do problema da recepção. A outra metade é o que fazer com quem perguntou e sumiu, e isso nenhum recurso do app faz por você. Está em por que a secretária perde pacientes no WhatsApp. Os textos de confirmação na véspera, que também cabem em respostas rápidas, estão em mensagem de confirmação de consulta.
Onde o app para
- Um número, no máximo quatro aparelhos conectados mais o celular ao mesmo tempo. Aparelho conectado cai se o app ficar mais de 14 dias sem uso no celular principal.
- A lista de transmissão só chega a quem salvou o número do consultório na agenda. Quem nunca salvou não recebe, e o app não avisa quem ficou de fora.
- Lista de transmissão não se cria nem se vê nos aparelhos conectados, só no celular.
- O mesmo número não roda no WhatsApp comum e no Business ao mesmo tempo. Dá para transferir a conta de um para o outro.
Para um consultório com uma secretária, esses limites quase nunca apertam. Apertam na clínica com três ou quatro pessoas respondendo o mesmo número, ou quando a agenda precisa mandar mensagem sozinha, sem ninguém apertar enviar.
App ou API
A própria Central de Ajuda separa os dois produtos: o app é para pequena empresa, num único aparelho; a Plataforma do WhatsApp Business, a API, é para empresa de médio e grande porte que precisa gerenciar volume, acessada direto ou por um provedor. É a API que liga o WhatsApp a um sistema de agenda, a um robô de atendimento ou a uma caixa de entrada com vários atendentes.
A API cobra, e a regra mudou em 2025. Pela página de preços da plataforma, conferida em 24 de setembro de 2026, a Meta cobra por mensagem desde 1º de julho de 2025, e só quando uma mensagem de modelo é entregue. Quando o paciente escreve, abre uma janela de 24 horas; dentro dela, as respostas comuns não são cobradas, e as mensagens de modelo da categoria utilidade também não. Fora da janela, a empresa só consegue mandar mensagem de modelo aprovado.
Na prática: a confirmação de consulta que o sistema manda sozinho na véspera é mensagem de modelo, fora da janela, e entra na conta. Para quem atende poucos pacientes por dia, o app gratuito e uma pessoa com hora fixa para confirmar a agenda costumam custar menos do que qualquer integração.
O que a norma pede do WhatsApp do consultório
Para a Resolução CFM 2.336/2023, o WhatsApp é rede social própria do médico: o art. 8º, §1º, o cita pelo nome na lista, ao lado de site, Instagram e YouTube. Tudo o que a resolução diz sobre publicidade vale para o que sai por ele, inclusive o perfil comercial e o catálogo.
O item 6 do Manual de Publicidade Médica põe o WhatsApp entre as plataformas em que a página principal do perfil precisa trazer a palavra MÉDICO, o número do CRM e, quando houver, o RQE. O mesmo item diz que a peça compartilhada em aplicativo de mensagem, como WhatsApp e Telegram, precisa levar esses dados dentro da própria publicação. A arte encaminhada viaja sem o perfil, então a identificação vai nela.
No catálogo, o limite de preço é o do item 8.4 do Manual: valor e forma de pagamento da consulta podem ser divulgados, desde que não formem pacote ou consórcio, e o valor de procedimento não vai em anúncio. Como o catálogo é vitrine aberta a qualquer pessoa, a leitura prudente é tratá-lo como anúncio. O detalhe está em médico pode divulgar o valor da consulta.
A conversa em si é assunto do Código de Ética Médica. O art. 73 veda revelar fato conhecido em virtude da profissão, e o art. 78 veda deixar de orientar os auxiliares a respeitar o sigilo. Etiqueta com nome de doença, print de conversa encaminhado para a equipe e transmissão que menciona tratamento são os jeitos mais comuns de o WhatsApp do consultório esbarrar nisso.
E há o limite do que se responde por ali. O art. 37, §1º, do Código põe o atendimento médico a distância sob regulamentação do CFM. Resposta rápida da recepção informa valor, horário e endereço; dúvida clínica vai para o médico, pelo caminho que ele definir. Os dispositivos citados nesta seção foram lidos no texto integral da Resolução, do Manual e do Código em 24 de setembro de 2026. O quadro completo da resolução está em o que a Resolução CFM 2.336/2023 permite.
Perguntas frequentes sobre WhatsApp Business no consultório
O WhatsApp Business é pago?
O aplicativo é gratuito, segundo a Central de Ajuda do WhatsApp. O que cobra é a API, a Plataforma do WhatsApp Business: desde 1º de julho de 2025 a Meta cobra por mensagem de modelo entregue, e as respostas dentro da janela de 24 horas aberta pelo paciente não são cobradas (página de preços da plataforma, conferida em 24 de setembro de 2026).
Posso usar o mesmo número do meu WhatsApp pessoal?
Não nos dois aplicativos ao mesmo tempo: a Central de Ajuda diz que o número não roda no WhatsApp comum e no Business juntos, mas permite transferir a conta. Para consultório, o mais seguro é um número só do consultório, num celular do consultório, porque a conversa com paciente fica no aparelho.
Quantas pessoas podem atender no mesmo número?
O app aceita até quatro aparelhos conectados mais o celular principal ao mesmo tempo. Os aparelhos conectados caem se o app ficar mais de 14 dias sem uso no celular. Acima disso, ou com vários atendentes e sistema de agenda integrado, o caminho é a API.
Posso colocar o valor da consulta no catálogo?
O item 8.4 do Manual de Publicidade Médica permite divulgar valor e forma de pagamento da consulta, desde que não caracterizem pacote ou consórcio, e diz que o valor de procedimento não deve ser colocado em anúncio. Como o catálogo fica aberto a qualquer pessoa, a leitura prudente é tratá-lo como anúncio.
Posso mandar aviso para os pacientes por lista de transmissão?
Pode, com dois cuidados. A mensagem só chega a quem salvou o número do consultório na agenda. E, como o art. 8º, §1º, da Resolução CFM 2.336/2023 trata o WhatsApp como rede social própria do médico, o aviso de divulgação segue as mesmas regras de um post, e a peça encaminhada precisa levar a identificação com CRM (item 6 do Manual).
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