Fundamentos
O que é marketing médico
Por Thiago Hilário · Atualizado em
Marketing médico é o conjunto de ações que faz um médico ser encontrado, reconhecido e escolhido por pacientes — dentro do que a Resolução CFM 2.336/2023 permite a quem tem CRM.
A primeira metade dessa frase vale para qualquer negócio. A segunda é o que faz disto uma disciplina separada, e não é rodapé: muda o que se pode dizer, onde se pode dizer e quem responde quando sai errado.
A parte da definição que muda tudo
Quem julga um anúncio de consultório não é o Procon nem o CONAR: é a Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame) do conselho regional. E quem responde ao processo é quem tem o CRM, não a agência que produziu a peça.
Isso reordena as prioridades inteiras. Em qualquer outro setor, a pergunta é o que converte mais; aqui a primeira pergunta é o que é permitido, e só depois o que converte dentro disso. Estratégia montada na ordem inversa costuma funcionar por alguns meses e cobrar caro depois.
Vale dizer o que quase nenhum material do mercado diz: a norma também obriga. O artigo 4º exige que toda peça traga o nome, o número de inscrição no CRM acompanhado da palavra MÉDICO e a especialidade seguida do RQE quando houver registro. O artigo 6º diz onde isso fica em rede social: na página principal do perfil — não em destaque, não em post antigo, não no link da bio.
A norma é mais permissiva que a fama dela
A Resolução CFM 2.336/2023 substituiu a 1.974/2011, e boa parte do mercado ainda trabalha pela antiga. Três exemplos que circulam errados até hoje:
- Antes e depois foi liberado com caráter educativo pelo artigo 14 — sob condições que quase ninguém cumpre inteiras, mas liberado.
- Preço de consulta pode ser anunciado (artigo 9º, VI). O de procedimento não vai em anúncio: o inciso VII manda acordá-lo entre as partes depois da avaliação.
- Depoimento de paciente não está entre as proibições do artigo 11. O artigo 14, II, “g”, o condiciona a ser sóbrio e a não induzir promessa de resultado.
As duas pontas custam caro. Quem trabalha pela norma antiga perde espaço à toa; quem trabalha por uma leitura frouxa dela responde no conselho. É por isso que a leitura artigo por artigo virou uma página inteira aqui, com o que pode, o que não pode e o que a norma obriga.
O limite que não se move é a promessa de resultado, vedada pelo artigo 11, XII. Ele é o que separa comunicação de captação irregular, e é o motivo de nada nesta página falar em número de pacientes garantidos.
De que peças o marketing médico é feito
Abaixo está o inventário, não a sequência — a ordem importa mais que a lista, e ela tem página própria logo depois.
Presença local
A ficha do Google é onde o paciente da sua cidade decide, e é gratuita. Distância, relevância e destaque definem quem aparece primeiro no mapa da especialidade.
como um médico aparece no Google Maps da própria cidadeReputação
Entre dois médicos parecidos, o paciente escolhe o que tem mais avaliações recentes. Volume e recência pesam mais que a nota, e pedir avaliação sem confirmar publicamente que alguém é seu paciente tem método.
avaliações no Google sem ferir o sigilo médicoConteúdo e perfil
O Instagram é a etapa da consulta que acontece antes da consulta: é onde o paciente confirma se confia em você. E é onde a identificação obrigatória do artigo 6º mais é ignorada.
o que funciona no Instagram médicoEndereço próprio
O site é o único canal que é seu de verdade — o resto é alugado de uma plataforma que muda a regra sem avisar. Não é o primeiro passo, e fica caro não ter quando o anúncio entra.
quando o médico precisa de siteMídia paga
Anúncio multiplica o que já existe. Com base pronta, acelera; sem ela, mostra o problema para mais gente pagando por isso.
quando o Google Ads vale a pena para médicoAtendimento e agendamento
Tudo acima gera conversa, e a conversa termina no WhatsApp. Se quem responde demora, improvisa ou solta o preço seco, o investimento inteiro vaza no último metro.
por que a secretária perde pacientes no WhatsAppPlataformas de agendamento como a Doctoralia são o caso intermediário: canal alugado que pode compor, avaliado em Doctoralia vale a pena? E a ordem em que tudo isso entra está em como divulgar um consultório médico, que é a página para ler depois desta.
O que marketing médico não é
Não é dancinha, nem trend
Formato de entretenimento funciona para quem vende entretenimento. Paciente não escolhe médico por deboche bem editado — escolhe por confiança, e confiança se constrói explicando o que ele tem medo de perguntar.
Não é comprar seguidor
Número inflado não vira agenda e atrapalha duas vezes: engana você na hora de decidir o que funciona, e derruba o alcance real do perfil junto.
Não é prometer agenda cheia
Quem promete resultado para você está oferecendo exatamente o que o artigo 11, XII, proíbe você de prometer ao paciente. É o sinal mais confiável de que a pessoa não leu a norma que vai te obrigar.
Não é publicar todo dia
Frequência sem clareza é custo. Um perfil que responde em três linhas quem você atende, do que você cuida e como marcar vale mais que trinta posts por mês sobre efeméride de saúde.
Não é anunciar antes de ter para onde mandar
Tráfego pago para uma ficha desatualizada ou um WhatsApp que ninguém responde é a forma mais rápida de concluir que “marketing não funciona para médico”.
Quem responde pelo que sai publicado
Agência erra, médico responde. As obrigações dos artigos 4º e 6º são de quem tem a inscrição, e nenhum contrato transfere isso — o conselho não abre processo contra fornecedor. Na prática, significa que você precisa entender o suficiente da norma para reprovar uma peça, mesmo pagando alguém para produzi-la.
É também o critério mais útil na hora de contratar. Quem não sabe dizer de cabeça o que o artigo 11 proíbe vai te entregar peça que você assina e não deveria — as seis perguntas de como escolher uma agência de marketing médico foram escritas para serem usadas contra qualquer fornecedor, esta casa incluída. E se o consultório fica em Recife, uma delas muda de peso: o que a proximidade resolve, e o que ela não resolve, está em agência de marketing médico em Recife.
Quanto custa, e quando começar
O mercado trabalha entre 2% e 5% do faturamento do consultório, e a conta que diz se está caro está aberta em quanto custa o marketing de um consultório médico, inclusive a diferença entre honorário e verba de mídia — que é onde a maioria das propostas confunde de propósito.
Quanto ao momento: começar não exige verba. As duas primeiras peças da lista acima — ficha do Google e rotina de avaliações — são gratuitas e costumam ser o que está faltando. Se o seu consultório não aparece na busca da própria cidade, a causa provável está entre as oito de por que o seu consultório não aparece no Google, e várias se resolvem numa tarde.
O que muda de especialidade para especialidade é o resto: quem decide em meses, quem decide com medo, quem pesquisa sozinho e não comenta com ninguém. Isso está separado por público em todo o conteúdo.
Quer saber o que dá para fazer no seu caso, com a sua especialidade e a sua cidade? A primeira conversa serve para isso e não custa nada.
Falar com a Bravum no WhatsApp