Especialidades
Marketing para oftalmologista: separar o que enche a agenda do que sustenta a clínica
Por Thiago Hilário · Publicado em · Atualizado em
Oftalmologia vive uma divisão que poucas especialidades têm com tanta nitidez: a consulta de rotina ocupa o dia e a cirurgia eletiva paga a conta. Quando a comunicação trata as duas do mesmo jeito, o resultado é uma agenda cheia e um faturamento que não acompanha.
A decisão estratégica vem antes de qualquer post: definir qual procedimento eletivo o consultório quer fazer crescer nos próximos meses, e falar dele com constância suficiente para virar referência naquilo. As datas do ano da especialidade ajudam a começar essa constância, como mostra o calendário de posts para oftalmologista.
As três camadas da especialidade
A consulta de rotina enche a agenda
Exame de vista, receita de óculos e consulta de convênio trazem volume e ocupam o dia inteiro, com margem estreita. É importante para o fluxo, mas é a camada que menos precisa de marketing: ela já chega por conta própria, por convênio e por proximidade.
A cirurgia eletiva sustenta a clínica
Refrativa, catarata com lente premium e procedimentos eletivos têm outro patamar de valor e outro tipo de decisão: a pessoa pesquisa, compara, tem medo e demora. É aqui que a comunicação pesa no resultado do mês.
O medo é o obstáculo, não o preço
Cirurgia no olho assusta de um jeito particular, e o que trava a decisão raramente é o valor. É a dúvida sobre dor, sobre acordar enxergando e sobre o que acontece se der errado. Conteúdo que responde essas três perguntas ajuda mais na decisão do que qualquer oferta.
O que vale mostrar
A Resolução CFM 2.336/2023 permite mostrar estrutura e equipamento, e em oftalmologia isso pesa mais do que na média: parte da confiança vem de a pessoa entender que existe aparelho, exame e critério por trás da indicação.
- O equipamento e a estrutura da sala, que a norma permite mostrar e que reduzem a insegurança antes da primeira consulta
- O passo a passo do exame pré-operatório, que explica por que nem todo mundo é candidato
- A diferença entre as técnicas, em linguagem de paciente e não de congresso
- O tempo real de recuperação e as restrições dos primeiros dias
- Título de especialista, RQE e formação, que a norma autoriza e que sustentam a escolha
O que continua fora: prometer que a pessoa vai largar os óculos, amarrar preço a brinde ou sorteio no Instagram e, o ponto em que mais se erra de boa-fé nesta especialidade, anunciar o valor da cirurgia. O artigo 9º libera informar o preço da consulta e as formas de pagamento; o valor do procedimento é acordado entre as partes depois da avaliação, e o Manual da Codame diz que ele não deve aparecer em anúncio publicitário (item 8.4). Refrativa é procedimento, não consulta. Depoimento de paciente, esse não está fora, está condicionado: sóbrio, sobre o atendimento, sem virar vitrine de resultado. O detalhamento está em o que pode e o que não pode na publicidade médica.
A ótica é o vizinho que esta especialidade precisa tratar com mais cuidado. O artigo 11 veda manter consultório dentro dela (inciso XV) e fazer propaganda dela no consultório (inciso XIV), e o Manual da Codame ilustra a regra com a recepção de uma clínica oftalmológica exibindo o banner de uma ótica, vedado seja o médico investidor ou não (item 10.3). Parceria com ótica e publi de lente ou colírio estão em médico pode fazer publi? E quem, além do médico, pode medir o grau e receitar a lente mudou nos tribunais, o que pesa na hora de comunicar o valor da consulta completa: optometrista pode receitar óculos?
É uma das especialidades em que o anúncio de busca funciona bem
Cirurgia refrativa é o caso em que o anúncio de busca costuma fechar a conta: a pessoa procura sozinha e pelo nome do procedimento, o valor da cirurgia paga o clique, e a decisão acontece num prazo que dá para acompanhar. É diferente de especialidades que vivem de encaminhamento, onde não há o que capturar na busca.
As condições e os erros que queimam verba estão em Google Ads para médicos. Antes de anunciar, porém, vale conferir se o espaço gratuito da mesma tela já está seu: como um médico aparece no Google Maps da própria cidade.
Uma oftalmologia por cidade
Não atendemos duas vezes a mesma especialidade na mesma cidade, por não fazer sentido disputar o mesmo paciente com estratégias que saíram da mesma casa. Consulte a disponibilidade da sua.
E o formato do consultório muda o problema tanto quanto a cidade: dividir andar num prédio médico, onde a distância é idêntica para dez profissionais do mesmo endereço, não é o mesmo que ter porta própria. O raciocínio está aberto em agência de marketing médico em Recife.
Quem está decidindo entre continuar numa sala alugada e abrir a própria clínica encontra o que muda nessa transição, incluindo o registro que o CRM exige antes de qualquer placa, em como montar uma clínica oftalmológica. E a conversa sobre a lente da catarata, que o paciente pesquisa antes de operar, tem regra de anúncio própria, em lente premium na catarata.
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