Publicidade médica

Médico pode divulgar o valor da consulta?

Por Thiago Hilário · Publicado em · Atualizado em

Pode. O art. 9º, inciso VI, da Resolução CFM 2.336/2023 permite ao médico informar valores de consultas, meios e formas de pagamento. A própria exposição de motivos da resolução põe a publicação do valor da consulta entre os assuntos antes tratados como controversos, e que ela passou a autorizar.

O que continua fora do anúncio é o preço do procedimento. A regra de um e de outro está em incisos vizinhos do mesmo artigo, e é aí que muita peça tropeça: o post começa falando da consulta e termina com o valor da aplicação.

O que a consulta pode mostrar

O inciso VI cobre o valor e o jeito de pagar. A exposição de motivos cita nominalmente a aceitação de planos de saúde e seguro saúde, cartão de crédito, parcelamento e abatimento. A nota da Codame ao inciso VI põe um limite: a divulgação vale desde que não caracterize pacote ou consórcio. O mesmo limite aparece no item 8.4 do Manual, e o consórcio tem vedação própria no art. 11, inciso X.

A mesma nota pede duas coisas sobre o número em si. Ele deve estar alinhado com o custo do serviço e a remuneração médica, e precisa ficar visível e auditável, porque é a base de qualquer desconto futuro. Como se chega a esse número, antes de publicá-lo, está em quanto cobrar por consulta médica. E a nota da Codame ao art. 11, inciso VI, lembra que prometer e não cumprir é propaganda enganosa. Na prática, o preço publicado precisa ser o que a secretária cobra. Na teleconsulta a lógica é a mesma: o art. 16 da resolução de telemedicina do CFM manda ajustar o valor antes, tal qual no atendimento presencial.

Por que o procedimento fica de fora

O inciso VII autoriza o médico a informar uma coisa só sobre procedimento particular: que o valor pode ser acordado entre as partes antes do atendimento e da execução. A nota da Codame explica o motivo. Procedimentos são individualizados e decorrem da avaliação em consulta, então não há como precificar antes. A mesma nota diz que a publicização desses valores será tratada como sensacionalismo e autopromoção.

O item 8.4 do Manual escreve a conclusão sem rodeio: os valores desses procedimentos não deverão ser colocados em anúncios publicitários. Tabela de procedimentos no site, story com o preço do protocolo e post com o valor da taxa de disponibilidade do obstetra caem na mesma regra.

Há uma ressalva no próprio texto da resolução. A exposição de motivos fala em anunciar valor de consulta, procedimentos e exames "desde que estes não dependam de diagnóstico e avaliação prévia", e a nota ao inciso VIII menciona serviços de imagem e laboratórios que divulgam tabela de preços. O Manual não dá exemplo desse caso. Quando houver dúvida se um procedimento se encaixa, a pergunta vai para a Codame do seu CRM antes da peça ir ao ar. Amigdalectomia, septoplastia e rinoplastia funcional entram na regra geral de procedimento, sem essa ressalva; a página da cirurgia no site a explica sem citar valor, como mostra site para otorrino.

Os exemplos do Manual

Permitido: preço de consulta, inclusive promocional

Uma clínica de oftalmologia anuncia a consulta "de R$ 560,00 por R$ 290,00" como promoção de inauguração, com a identificação do diretor técnico na peça. Outra anuncia "consultas 30% mais baratas na primeira semana do ano". Os dois exemplos aparecem como permitidos no item 8.4 do Manual.

Vedado: preço de procedimento e oferta casada

No mesmo item 8.4, o Manual marca como vedados um post de "aplicação de Botox R$ 700,00" e outro com "faça um fio de PDO e ganhe um botox". O primeiro põe valor de procedimento em anúncio. O segundo é venda casada, que o inciso VIII do art. 9º proíbe mesmo dentro de campanha promocional.

Desconto e promoção na consulta

O inciso VIII do art. 9º permite anunciar abatimentos e descontos em campanha promocional, e proíbe vincular a promoção a venda casada, premiação e outros que desvirtuem a medicina como atividade-meio. A nota da Codame acrescenta uma condição prática: o médico ou o estabelecimento fica obrigado a deixar acessíveis à auditoria os preços praticados até três meses antes da data promocional. Sem esse histórico, o "de R$ 560,00 por R$ 290,00" não tem como ser conferido.

A mesma nota mantém proibida a divulgação de sorteio de consultas e procedimentos. E há um desconto que não pode existir em hipótese nenhuma: o Manual, ao comentar o uso de imagem de paciente (art. 14, inciso II, alínea i), proíbe dar desconto no procedimento em troca da autorização para usar a imagem. Cupom, cartão de desconto e como guardar o preço dos três meses estão em médico pode dar desconto na consulta?

Consulta gratuita: pode atender, não pode anunciar

O art. 11, §4º, alínea c, trata como concorrência desleal anunciar serviço médico gratuito em consultório privado. A nota da Codame deixa claro o alcance: a vedação é da divulgação. O médico continua podendo dar abatimento ou dispensar o pagamento de quem quiser. O que não pode é usar a gratuidade como chamariz para formar clientela. O retorno para mostrar exames é outro assunto: a Resolução CFM 1.958/2010 o trata como continuação da mesma consulta, e o que pode e o que não pode ser cobrado nele está em médico pode cobrar retorno? O atestado, que a Resolução CFM 2.381/2024 manda entregar sem custo, e o relatório, que só em certos casos pode ser cobrado, estão em médico pode cobrar laudo ou relatório?

Toda peça com valor segue sendo peça de publicidade, então leva a identificação do art. 4º: nome, CRM com a palavra MÉDICO e, quando houver, especialidade com RQE. Em rede social, o art. 6º pede esses dados na página principal do perfil.

Perguntas frequentes sobre preço na publicidade médica

Médico pode divulgar o valor da consulta no Instagram?

Pode. O art. 9º, inciso VI, da Resolução CFM 2.336/2023 permite informar valores de consultas, meios e formas de pagamento, e a regra vale para qualquer canal. A peça continua obrigada a trazer a identificação do art. 4º: nome, CRM com a palavra MÉDICO e, quando houver, especialidade com RQE.

Médico pode divulgar o preço de um procedimento?

Em anúncio, não. O inciso VII do art. 9º só autoriza informar que o valor do procedimento particular pode ser acordado entre as partes antes da execução. A nota da Codame trata a publicização desses valores como sensacionalismo e autopromoção, e o item 8.4 do Manual diz que eles não deverão ser colocados em anúncios publicitários. A ressalva da exposição de motivos, para exame e procedimento que não dependem de diagnóstico e avaliação prévia, não tem exemplo no Manual: na dúvida, a pergunta vai para a Codame do seu CRM.

Pode fazer promoção ou desconto na consulta?

Pode, em campanha promocional, pelo inciso VIII do art. 9º, sem venda casada nem premiação. A nota da Codame exige deixar acessíveis à auditoria os preços praticados até três meses antes da data promocional, e mantém proibido o sorteio de consultas e procedimentos.

Médico pode anunciar consulta gratuita?

Em consultório privado, não. O art. 11, §4º, alínea c, trata como concorrência desleal anunciar serviço médico gratuito. A nota da Codame esclarece que a vedação é da divulgação: atender sem cobrar continua sendo escolha do médico.

Pode anunciar parcelamento ou pacote de consultas?

Parcelamento e forma de pagamento, sim: são o que o inciso VI chama de meios e formas de pagamento, e a exposição de motivos cita cartão de crédito e parcelamento. Pacote, não: a nota da Codame ao inciso VI e o item 8.4 do Manual só permitem a divulgação do valor da consulta quando ela não caracteriza pacote ou consórcio, e o consórcio tem vedação própria no art. 11, inciso X.

Artigos e notas conferidos no texto integral da Resolução CFM 2.336/2023 e do Manual de Publicidade Médica do CFM em 19 de setembro de 2026. Esta página cobre só preço. O resto da norma, do antes e depois ao depoimento de paciente, está em marketing médico: o que pode e o que não pode, e a forma de responder quem pergunta o valor pelo WhatsApp está em por que a secretária perde pacientes no WhatsApp. Quem pensa em pôr o valor da consulta no catálogo do aplicativo encontra a mesma regra aplicada em WhatsApp Business para médicos. A aplicação dessa régua a um site inteiro, da consulta de pré-natal à inserção de DIU, está em site para ginecologista.

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