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Marketing médico no Instagram: o que funciona e o que só dá trabalho

Por Thiago Hilário · Publicado em · Atualizado em

Funciona o perfil que responde em dez segundos a três perguntas: que especialidade é essa, essa pessoa atende gente como eu e como eu marco. Antes de pisar na sua sala, o paciente passa pelo seu Instagram, olha a foto, lê a bio, desce alguns posts e decide ali se chama no WhatsApp ou volta para a lista do Google. O perfil é a etapa da consulta que acontece antes da consulta.

A boa notícia é que o jogo não é de volume nem de estética de influenciador. É de clareza: quem você atende, o que resolve, como chegar até você. As datas do ano ajudam, porque já trazem pauta pronta, como mostra o calendário de posts para ginecologista.

O que o perfil precisa responder em dez segundos

Três perguntas, nesta ordem: que especialidade é essa, essa pessoa atende gente como eu, e como eu marco. A resposta mora na bio, na foto e nos destaques, não no feed. Bio que lista títulos e não diz a cidade nem o caminho do agendamento perde o paciente que já estava decidido.

E título errado na bio custa mais do que confusão de paciente. Pós-graduação sem RQE escrita como se fosse especialidade descumpre a norma, mesmo com o curso de verdade por trás. O formato certo, com o aviso que a resolução exige, está em médico pode divulgar pós-graduação sem ser especialista?.

Antes das três perguntas, vem o que a bio é obrigada a ter, e que muito perfil de médico esquece. O artigo 4º da Resolução CFM 2.336/2023 exige nome, número de inscrição no CRM acompanhado da palavra MÉDICO, e a especialidade seguida do RQE quando ela estiver registrada. O artigo 6º diz onde: na página principal do perfil, não num destaque, não num post antigo, não no link da bio.

Vale igual para site, blog, YouTube, TikTok, LinkedIn e WhatsApp, que o §1º do artigo 8º lista como redes próprias. É a exigência mais fácil de cumprir de toda a norma, e a única que se resolve numa tarde sem depender de mais nada. Se a dúvida for onde achar o seu número, ou em que outros canais ele também é obrigatório, a resposta está em o que é RQE.

O Manual da Codame acrescenta três detalhes que a resolução deixa em aberto. As linhas da identificação têm de sair na mesma fonte, no mesmo tamanho e na mesma cor: nome grande e CRM em cinza claro não cumpre, e o mesmo vale para a assinatura junto da marca do consultório (o exemplo está em logo para otorrino). Post a post você não precisa repetir CRM e RQE, porque eles já estão na bio; mas, se a peça for compartilhada em outro perfil ou mandada por WhatsApp, os dados obrigatórios têm de estar dentro dela, porque ali a bio não viaja junto. E perfil pessoal que nunca fala de medicina não precisa de nada disso. A partir do momento em que ele fala, precisa.

O feed responde à quarta pergunta, que é se dá para confiar. Conteúdo educativo constante é o que constrói essa resposta, e é também o território mais seguro da norma: explicar condição, procedimento e cuidado é permitido em qualquer formato. De onde tirar assunto toda semana, e o limite de cada pauta, está em o que postar no Instagram de médico.

Os cinco erros que mais vemos em perfil de médico

Tratar o perfil como diário do congresso

Foto de palestra, certificado e selfie de jaleco falam com colegas, não com quem sente o sintoma. O paciente quer saber se você resolve o problema dele e como é ser atendido por você, e decide isso em segundos.

Publicar em rajada e sumir

Doze posts em uma semana e três meses de silêncio rendem menos que um post por semana durante um ano. Constância pesa mais que volume, para o algoritmo e para quem visita o perfil e olha a data da última publicação.

Falar difícil

O paciente não busca hiperidrose, busca suor demais na mão. Legenda escrita na língua do consultório informa o colega e perde o paciente. A tradução do termo técnico para a queixa é o trabalho editorial mais valioso do perfil.

Achar que sem aparecer em vídeo não dá

Dá. Vídeo acelera, mas não é pré-requisito, e muito médico trava o perfil inteiro esperando a coragem de gravar. Carrossel bem escrito, foto de estrutura e conteúdo educativo em texto sustentam um perfil forte sem rosto em vídeo.

Medir curtida em vez de conversa

O número que importa não aparece no post: é quanta gente saiu do perfil para o WhatsApp e quantas dessas conversas viraram consulta. Perfil pequeno com dez conversas por semana vale mais que perfil grande que não gera nenhuma.

O limite que o Instagram não avisa

A plataforma aceita o que a profissão limita. Em otorrino, isso vale tanto para o post de rotina quanto para o da data comemorativa, como mostra o calendário de posts para otorrino. Promessa de resultado na legenda e sorteio de procedimento passam pelo Instagram e não passam pela Resolução CFM 2.336/2023. A responsabilidade é de quem tem registro, não da plataforma nem da agência. Com anúncio pago a distância aumenta: a Meta aceita antes e depois para público adulto, e a norma não aceita o post isolado. As duas listas de regras estão lado a lado em tráfego pago para médicos.

Story com depoimento e print de conversa agradecendo são o caso ambíguo, e vale entender por quê. A norma permite depoimento sóbrio sobre o atendimento, mas o artigo 8º, §3º, diz que o que você reposta vira publicação sua, e o §4º manda investigar elogio à técnica e ao resultado quando ele aparece de modo reiterado. Um story assim é inofensivo; um destaque cheio deles é um padrão.

E “reiterado” tem número. A resolução manda ver o manual, e o Manual da Codame define repostagem reiterada como a que acontece mais de duas vezes por semestre (item 7.3). Acima disso, o compartilhamento pode ser enquadrado como sensacionalismo e concorrência desleal. Duas por semestre é um teto baixo o suficiente para inviabilizar qualquer estratégia construída sobre repost, que é exatamente o efeito pretendido.

O antes e depois tem uma pegadinha de formato que atinge o Instagram em cheio: o Manual não permite postagem isolada de resultado. O que ele aceita é um conjunto de no mínimo quatro pacientes, em quatro etapas, que pode ser compilado num vídeo ou numa página do site para onde a rede social direciona. Ou seja, o formato mais usado do marketing médico, a foto do caso bom com legenda explicativa, não fica dentro da norma por melhor que seja a legenda.

Quem mais perde com isso é quem mais tem material: o perfil de dermatologia e o de cirurgia plástica, que costumam ser construídos em cima justamente desse post. A saída é mudar onde o resultado mora: o conjunto completo numa página do site, e o Instagram levando até ela.

O mapa completo do que pode e do que não pode está em o que a Resolução CFM 2.336/2023 permite e proíbe, incluindo o antes e depois educativo, que foi liberado e quase ninguém usa.

Instagram sozinho não fecha a conta

O perfil gera a conversa, e a conversa acontece no WhatsApp. Se quem responde demora ou improvisa, o investimento no conteúdo vaza no último metro: é o tema de por que a secretária perde pacientes no WhatsApp.

E o Instagram atende quem já chegou até você. Quem está com o sintoma agora pesquisa no Google e decide no mapa, um canal que funciona por regras completamente diferentes: como um médico aparece no Google Maps da própria cidade. Os dois juntos cobrem os dois momentos do paciente, e é assim que o Método CORE organiza o trabalho.

Quer que a gente olhe o seu perfil e diga o que mudar primeiro?

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