Reputação
Como conseguir avaliações no Google sem ferir o sigilo médico
Entre dois médicos igualmente qualificados na mesma rua, o paciente escolhe o que tem mais avaliações. Não é justo, mas é o que acontece na tela onde a decisão é tomada, e é o fator de reputação que mais depende de uma rotina simples dentro do consultório.
A parte que quase nenhum conteúdo sobre o assunto trata é a que mais importa para quem tem registro no conselho: como pedir e como responder sem expor que aquela pessoa é sua paciente.
Quantidade e recência valem mais que nota
Uma ficha com nota cinco e uma única avaliação perde para a de nota 4,8 com cento e vinte. E avaliação de três anos atrás pesa menos do que a de ontem, o que explica por que consultórios que fizeram um esforço isolado voltaram a cair depois.
A meta que funciona não é um número grande de uma vez, é um número pequeno toda semana. Duas avaliações por semana somam mais de cem em um ano, e mantêm a ficha sempre recente.
Como pedir
No fim da consulta, não em campanha
O melhor momento é o único momento em que a pessoa está satisfeita e com você na frente. Campanha anual de avaliação produz um pico e depois um ano de silêncio, e o Google lê recência.
Com o link pronto na mão de quem atende
Pedir sem entregar o caminho é pedir para não acontecer. O painel do Google gera um link curto de avaliação, que pode virar QR no balcão, mensagem pronta no WhatsApp ou o próprio celular da recepção aberto na tela certa.
Pedindo que a pessoa conte o que aconteceu
Avaliação que descreve o atendimento e diz onde fica o consultório informa mais o próximo paciente e é lida com mais peso do que uma linha genérica de elogio. Sugerir que a pessoa conte, sem ditar o texto, é o equilíbrio.
O que não fazer
- Oferecer desconto, brinde ou qualquer vantagem em troca de avaliação
- Comprar avaliação, que o Google detecta e pune com a ficha inteira
- Pedir avaliação a quem nunca foi atendido, inclusive família e equipe
- Filtrar quem avalia, perguntando antes se a pessoa gostou para só então mandar o link
O último costuma surpreender, porque parece prudência. Perguntar antes se a pessoa gostou e só mandar o link para quem disse que sim é seleção de avaliação, contraria as políticas do Google e produz uma ficha com nota alta e nenhuma credibilidade.
Responder sem confirmar que a pessoa é sua paciente
Aqui mora o risco de verdade. A resposta a uma avaliação é pública e fica para sempre. Escrever algo como foi um prazer cuidar do seu joelho confirma tratamento, diagnóstico e vínculo de uma pessoa identificável, em um canal aberto. O sigilo continua valendo mesmo quando foi o próprio paciente que se expôs primeiro.
A saída é responder de forma genérica e calorosa, sem confirmar nada e sem citar nenhum detalhe do atendimento. Agradecer a mensagem, dizer que a equipe fica feliz em saber e encerrar. Uma frase serve para todas as avaliações positivas, e não precisa ser diferente a cada vez.
Vale a mesma regra que separa avaliação de depoimento. O que o paciente escreve espontaneamente na ficha é fala dele. Reproduzir esse texto na sua própria publicidade é outra coisa, e é o que a Resolução CFM 2.336/2023 proíbe, mesmo com autorização por escrito.
Quando a avaliação é negativa
A tentação é explicar o caso e mostrar que a pessoa está errada. É exatamente o que não pode ser feito, porque a defesa detalhada expõe mais informação do que a acusação. Uma resposta pública curta, lamentando e oferecendo um canal direto, resolve a leitura de quem está de fora. O resto vai para o privado.
Uma avaliação ruim no meio de oitenta boas quase não move a nota e ainda dá credibilidade ao conjunto. A mesma avaliação ruim no meio de três é o que aparece. É mais um motivo para a rotina semanal existir antes de você precisar dela. O protocolo completo de resposta, incluindo o que o Google remove e o que fazer com avaliação de quem nunca foi atendido, está em como um médico responde a uma avaliação negativa.
Onde as avaliações entram na posição
Reputação é um dos três fatores que decidem quem aparece no mapa, junto com distância e relevância. Como funcionam os outros dois, e o que precisa estar preenchido na ficha, está em como um médico aparece no Google Maps da própria cidade. Se você ainda não aparece de jeito nenhum, o problema provavelmente é anterior e está entre as oito causas de um consultório não aparecer na busca.
Quer montar essa rotina no seu consultório, com o link, o texto e o treino de quem pede?
Falar com a Bravum no WhatsApp