Anúncios
Tráfego pago para médicos: Meta Ads, quanto investir e quando começar
Por Thiago Hilário · Atualizado em
Tráfego pago é o nome que o mercado dá ao anúncio: você paga à plataforma para a sua peça aparecer a quem ainda não conhece o seu trabalho. Para o médico existem dois caminhos, com lógicas opostas. No Google, o anúncio aparece para quem está procurando. No Instagram e no Facebook, os anúncios do Meta aparecem para quem não estava procurando nada.
Esta página trata do lado do Meta, de quanto investir e de quando começar. O lado da busca está em Google Ads para médicos.
Google e Meta respondem a perguntas diferentes
O anúncio de busca captura uma procura que já existe: a pessoa digitou o problema e você aparece. O anúncio do Meta interrompe o feed de quem pode precisar de você um dia, e por isso a decisão demora mais e passa pelo perfil antes de chegar ao WhatsApp.
Nenhum dos dois é melhor em abstrato. A pergunta é como o seu paciente chega até um médico da sua especialidade.
Procedimento eletivo que a pessoa vem adiando
Quem pensa há meses em tratar a pele, operar a miopia ou resolver o suor nas mãos não está pesquisando hoje, mas reconhece o assunto quando ele aparece no feed. O anúncio do Meta encontra essa pessoa antes de ela abrir o Google.
Público que se define por lugar e idade, não por sintoma
O Meta entrega por região, faixa etária e interesse. Isso serve bem ao consultório que atende um bairro ou uma cidade, e mal à especialidade cujo paciente só aparece quando o sintoma aparece.
Reencontrar quem já passou pelo perfil
A pessoa que assistiu a um vídeo seu ou visitou o site e não chamou ainda está decidindo. Mostrar a ela o próximo passo custa menos do que convencer um desconhecido, e é o uso de anúncio que menos incomoda.
Quando não faz
Especialidade que vive de encaminhamento de colega, atendimento de urgência e consulta de convênio com valor baixo. Nos três casos o paciente não decide pelo feed, e a verba vai embora sem voltar como consulta.
Duas regras valem ao mesmo tempo
A Meta aprova ou reprova o anúncio pelos padrões dela. O CRM julga pela Resolução CFM 2.336/2023 e pelo Manual da Codame, que o art. 2º torna obrigatório. Anúncio aprovado pela plataforma não está aprovado pelo conselho, e a responsabilidade é de quem tem o registro.
O CFM permite comprar anúncio
O art. 13, inciso II, da Resolução CFM 2.336/2023 dá ao médico o direito de comprar espaço em veículo de comunicação para fazer publicidade, e o inciso III permite usar as redes próprias para formar, manter ou aumentar a clientela. A nota da Codame ao art. 13, inciso II, acrescenta que nesse espaço pago o médico pode informar endereço e telefone, e que deve assinar a publicação.
A identificação vai dentro da peça
Assinar é cumprir o art. 4º: nome, número do CRM com a palavra MÉDICO e, para quem é especialista, a especialidade com o RQE. O item 5 do Manual diz que, nas peças exibidas pela internet, a identificação aparece em todos os quadros do vídeo, de forma legível. O item 6 dispensa repetir os dados em cada post quando eles estão na bio, mas exige que entrem na peça quando ela circula fora do perfil. O anúncio chega a quem nunca abriu a sua bio, então a nossa prática é pôr a identificação na peça sempre.
O que não entra no texto do anúncio
Promessa ou insinuação de bom resultado (art. 11, inciso XII), frase que cause medo ou insegurança (art. 11, §2º, alínea e) e valor de procedimento, que o item 8.4 do Manual tira dos anúncios. O valor da consulta pode, pelo art. 9º, inciso VI. E "avaliação gratuita" no consultório particular também fica fora: o art. 11, §4º, alínea c, trata como concorrência desleal anunciar serviço médico gratuito, e a nota da Codame esclarece que o que se veda é a divulgação, não o atendimento sem cobrança.
O que a Meta reprova, mesmo com a norma cumprida
Os Padrões de Publicidade da Meta, conferidos em 22 de setembro de 2026, proíbem anúncio que afirme ou sugira a condição de saúde física ou mental de quem está lendo. Os exemplos da própria Meta: "Você tem diabetes?" é vetado, "Novo tratamento de diabetes disponível" é permitido. A página de Saúde e bem-estar exige público de 18 anos ou mais para serviços de saúde, dieta e perda de peso, e para procedimentos e cirurgias cosméticos.
O caso em que as duas regras mais se afastam é o antes e depois. A política de Saúde e bem-estar da Meta aceita anúncio de procedimento com imagem de antes e depois, desde que o público seja adulto. A nota da Codame ao art. 14, inciso II, alínea b, e o item 12 do Manual dizem que postagem isolada de resultado em rede social não é permitida: o formato aceito é um conjunto de no mínimo quatro pacientes, explicado em antes e depois na publicidade médica. O anúncio que a Meta aprova em minutos pode ser o que a Codame convoca para explicar.
O preço é o segundo ponto de atrito, e a regra completa está em médico pode divulgar valor da consulta? Na dúvida sobre uma peça específica, o art. 13, inciso V, dá ao médico o direito de consultar a Codame do seu CRM antes de publicar.
Quanto investir: a conta de trás para frente
No Meta não há preço de tabela. Você define quanto quer gastar por dia ou por campanha, e o custo de cada resultado depende da sua cidade, da especialidade, da peça e de quantos colegas disputam o mesmo público. Quem responde "quanto investir" com um número fixo antes de conhecer o seu consultório está respondendo por outro consultório.
A verba sai de quatro perguntas, nesta ordem:
- Quantas consultas novas por mês você quer, e quantas a sua agenda comporta de verdade.
- De cada dez conversas no WhatsApp, quantas viram consulta marcada. A recepção sabe responder, e se ninguém sabe, esse é o primeiro problema a resolver.
- Quanto custa cada conversa que o anúncio abre. Esse número só aparece com a campanha no ar.
- Quanto vale uma consulta nova para o consultório, contando o retorno e o procedimento que ela às vezes gera.
Um exemplo com números hipotéticos, que não são média de mercado, só para mostrar a conta: se cada conversa custar R$ 30 e três em cada dez virarem consulta, cada consulta nova custou R$ 100 de mídia. Dez consultas novas por mês pedem R$ 1.000 de verba. Com consulta particular de R$ 400 a conta fecha; com consulta de convênio, provavelmente não.
Por isso o primeiro mês é de medição. Comece com uma verba que você aceitaria gastar só para descobrir o custo da conversa na sua cidade, deixe a campanha rodar o mês inteiro e decida com o número na mão. Trocar a peça a cada poucos dias impede qualquer leitura.
E essa verba é uma conta separada do honorário de quem gerencia os anúncios, como mostramos em quanto custa o marketing de um consultório médico. Proposta que junta as duas esconde quanto está de fato indo para a plataforma.
Quando começar
Depois da base, nunca antes. O anúncio leva gente até você, e o que essa gente encontra decide se a verba volta. Antes de ligar a primeira campanha, confira:
- Ficha do Google preenchida e com avaliações recentes, porque quem vê o anúncio pesquisa o seu nome antes de chamar.
- Perfil com a identificação do art. 6º na bio e publicações que sustentem o que o anúncio promete mostrar.
- Alguém respondendo o WhatsApp no mesmo dia, com roteiro, e não só no fim do expediente.
- Um jeito de saber de onde o paciente veio: perguntar na primeira conversa já resolve.
A ficha é o que a pessoa confere depois de ver o anúncio: como um médico aparece no Google Maps da própria cidade. E a conversa aberta pelo anúncio se perde no mesmo lugar em que se perde a conversa orgânica, no atendimento, que é o tema de por que a secretária perde pacientes no WhatsApp.
No Método CORE, anúncio é a última etapa a entrar. Com a base pronta ele acelera; sem ela, mostra o problema para mais gente e cobra por isso.
O que medir
Curtida, alcance e visualização são números da plataforma, não do consultório. O que interessa é conversa iniciada, consulta marcada e consulta realizada, nessa sequência, e o custo de cada uma.
Se o relatório mensal não traz consulta marcada, ele mede o anúncio e não o resultado. A pergunta na primeira conversa ("como você chegou até nós?") custa nada e corrige boa parte disso.
Perguntas frequentes sobre tráfego pago para médicos
Médico pode fazer tráfego pago?
Pode. O art. 13, inciso II, da Resolução CFM 2.336/2023 dá ao médico o direito de comprar espaço em veículo de comunicação para fazer publicidade, e o inciso III permite usar as redes próprias para formar, manter ou aumentar a clientela. A nota da Codame ao art. 13, inciso II, pede que o médico assine essas publicações, com os dados do art. 4º.
Quanto investir em tráfego pago no consultório?
Não existe número certo antes de medir. A verba sai de quantas consultas novas você quer, de quantas conversas no WhatsApp viram consulta e de quanto custa cada conversa na sua cidade, que só se descobre com a campanha no ar. Por isso o primeiro mês é de medição, com uma verba que você aceitaria gastar para aprender.
É melhor anunciar no Google ou no Instagram?
Depende de como o seu paciente chega. O Google atende quem já está procurando pelo problema, e serve bem a especialidade de demanda espontânea. O Meta alcança quem não estava procurando, e serve melhor a procedimento eletivo que a pessoa vem adiando e ao público que se define por bairro e idade.
O anúncio precisa ter CRM e RQE?
O art. 4º exige nome, CRM com a palavra MÉDICO e, para especialista, o RQE nas peças de publicidade. O item 5 do Manual pede a identificação em todos os quadros das peças em vídeo exibidas pela internet, e o item 6 exige os dados na peça quando ela circula fora do perfil. Como o anúncio chega a quem nunca abriu a sua bio, o mais seguro é pôr a identificação na peça.
Posso anunciar avaliação gratuita?
No consultório particular, não. O art. 11, §4º, alínea c, trata como concorrência desleal anunciar serviço médico gratuito. A nota da Codame esclarece que a vedação é da divulgação: o médico pode dar desconto ou não cobrar de quem quiser, só não pode usar a gratuidade como chamariz.
Posso anunciar antes e depois no Instagram?
A Meta aceita, com público adulto, pela política de Saúde e bem-estar conferida em 22/09/2026. A norma médica não aceita no formato de post isolado: o item 12 do Manual exige um conjunto de no mínimo quatro pacientes, em quatro etapas, e diz que postagem isolada de resultado em rede social não é permitida.
Quer saber se o seu consultório está pronto para anunciar, e com que verba começar?
Falar com a Bravum no WhatsApp