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Médico pode postar foto ou vídeo de cirurgia? Onde a norma do CFM põe o limite
Por Thiago Hilário · Atualizado em
Pode mostrar o dia cirúrgico. Não pode mostrar a cirurgia acontecendo. A Resolução CFM 2.336/2023 separa as duas coisas com clareza: o médico paramentado, a equipe e o ambiente de trabalho entram na permissão do art. 9º, e a execução do procedimento, filmada ou transmitida, fica fora do alcance do público. As exceções existem, são estreitas e estão escritas.
A busca junta assuntos que a norma trata em artigos diferentes, e é aí que nasce o erro. Esta página separa o bastidor, a execução, a transmissão ao vivo e o resultado. Resolução e Manual lidos no texto integral em 21 de setembro de 2026.
Quatro coisas que a mesma pergunta mistura
O bastidor do dia cirúrgico
Permitido. O art. 9º, inciso I, autoriza foto e vídeo com detalhes do ambiente de trabalho, da própria imagem, da equipe clínica e dos auxiliares. O art. 8º, inciso III, libera selfie, imagens e áudios nas redes, desde que sem sensacionalismo nem concorrência desleal. O exemplo que o item 8.1 do Manual marca como permitido é um vídeo chamado Dia a dia no hospital, com o médico e a equipe de pé no corredor.
A execução do procedimento
Vedada ao público. O art. 11, §2º, alínea d, define como sensacionalismo apresentar em público técnica que deva ficar limitada ao ambiente médico, inclusive a execução de procedimentos clínicos ou cirúrgicos. O art. 14, inciso II, alínea b, repete o limite para quem mostra resultado: é vedada a demonstração e o ensino de técnicas que devem limitar-se ao ambiente médico.
A transmissão em tempo real
Vedada, ainda que com autorização expressa do paciente. É o art. 11, inciso VIII. A ressalva vale para trabalhos e eventos científicos destinados exclusivamente a médicos e estudantes de medicina, com autorização prévia do paciente, pelo art. 13, inciso IV.
O resultado da cirurgia
Permitido com formato fechado. O art. 14, inciso II, libera a demonstração de resultados com caráter educativo, e o item 12 do Manual exige um conjunto de no mínimo quatro pacientes, em quatro etapas. Postagem isolada de resultado em rede social não é permitida.
Onde fica a linha dentro do centro cirúrgico
O que cabe no post é tudo que acontece em volta do ato: a equipe se preparando, o médico paramentado antes de entrar, a sala e os equipamentos, o fim de um dia longo. A nota da Codame ao art. 9º, inciso I, pede uma coisa só em troca, que a imagem retrate fielmente o ambiente que o paciente vai encontrar. Equipamento mostrado segue o art. 9º, inciso IX: as indicações de uso são as do portfólio aprovado pela Anvisa, e o art. 11, inciso II, veda atribuir capacidade privilegiada ao aparelho.
O que não cabe é o campo operatório, a técnica em curso e qualquer coisa que identifique quem está na mesa. O art. 14, inciso II, alínea e, veda imagem de procedimento que identifique o paciente, e a nota da Codame ao item 3 da alínea i explica o alcance do anonimato: nome, endereço, telefone, perfil nas redes. Monitor com nome, pulseira legível e prontuário aberto no fundo da foto entram nessa conta.
A observação h do item 12 do Manual resolve a dúvida mais comum em uma linha: procedimentos médicos em andamento não podem ser filmados, com exceção dos partos. E a nota da Codame ao art. 14, inciso II, alínea d, acrescenta duas vedações que costumam passar despercebidas. O médico não pode interromper o procedimento nem prolongar o tempo de cirurgia para captar imagem de publicidade, e a presença de equipe externa de filmagem ou fotografia é proibida em qualquer ato médico, exceto no parto.
E a imagem feita durante a cirurgia, para explicar?
Aqui a norma não diz nunca, e vale ler com cuidado antes de repetir que é proibido. A mesma nota ao art. 14, inciso II, alínea d, diz que imagens obtidas durante a execução de procedimento devem ser usadas em publicidade em situações de exceção, preservando a segurança do ato médico, com caráter exclusivamente educativo e respeitando a proibição de demonstrar em público o que deve ficar no meio médico.
Exceção é a palavra que decide. Uma imagem que ajuda o paciente a entender a indicação ou o tipo de incisão, dentro de um material educativo, é um caso a avaliar. Um feed de fotos de campo operatório com legenda de rotina é outro, e esbarra no art. 11, §2º, alínea a, que chama de sensacionalismo divulgar procedimento com o objetivo de enaltecer a própria atuação. A nota da Codame ao art. 9º, inciso VII, vai no mesmo sentido para procedimento particular, ao vedar "a publicização desses valores e das imagens dos atos correspondentes".
Se a sua especialidade depende de imagem para explicar o que faz, o art. 13, inciso V, dá o caminho que evita adivinhação: consultar a Codame do seu CRM antes de publicar.
Transmissão para colegas é outra regra
A cirurgia ao vivo não sumiu da medicina. Ela mudou de plateia. A nota da Codame ao art. 11, inciso VIII, restringe a exposição de técnicas e procedimentos em tempo real a ambientes de treinamento e capacitação de médicos e estudantes, em eventos exclusivos para médicos ou em aulas de instituições de ensino. O motivo está escrito na mesma nota: o risco de banalizar a medicina e de expor ao público um acidente inesperado durante o procedimento.
O item 10.2 do Manual ilustra o vedado com um caso concreto. Uma clínica anuncia nas redes uma transmissão ao vivo de endoscopia, com data e hora, convidando o público a ver o procedimento em detalhes. Não importa se o paciente autorizou: aberto ao público, é o que o inciso VIII proíbe.
O parto é a exceção escrita
O art. 14, inciso II, alínea d, autoriza equipe externa de filmagem só no parto, quando a parturiente ou a família quiserem e o médico concordar. A nota da Codame completa que essas imagens pertencem à paciente e servem ao registro pessoal do nascimento. Se o médico ou o hospital quiser usá-las, o uso segue as demais regras do art. 14, inclusive a autorização por escrito e o anonimato.
Perguntas frequentes sobre foto e vídeo de cirurgia
Médico pode postar foto no centro cirúrgico?
Pode, se a foto mostra o ambiente, a equipe ou o próprio médico. O art. 9º, inciso I, da Resolução CFM 2.336/2023 permite foto e vídeo do ambiente de trabalho, da própria imagem e da equipe clínica. O limite é a execução do procedimento, que o art. 11, §2º, alínea d, trata como sensacionalismo quando apresentada em público, e o paciente, que não pode ser identificável (art. 14, inciso II, alínea e).
Com autorização do paciente, posso postar o vídeo da cirurgia?
A autorização não resolve. Ela é condição para usar a imagem do paciente (art. 14, inciso II, alínea i), não licença para mostrar a execução. A observação h do item 12 do Manual da Codame diz que procedimentos médicos em andamento não podem ser filmados, com exceção dos partos.
Posso fazer live de cirurgia?
Para o público, não. O art. 11, inciso VIII, veda expor imagens de consultas e procedimentos transmitidas em tempo real, ainda que com autorização expressa do paciente. A ressalva é o art. 13, inciso IV: trabalhos e eventos científicos destinados exclusivamente a médicos e estudantes de medicina, com autorização prévia do paciente.
Posso contratar fotógrafo ou videomaker para acompanhar a cirurgia?
Não. A nota da Codame ao art. 14, inciso II, alínea d, proíbe a presença de equipe externa de filmagem ou fotografia em qualquer ato ou procedimento médico, exceto nos partos, e veda interromper o procedimento ou prolongar o tempo de cirurgia para captar imagem de publicidade.
E o vídeo do parto?
É a exceção escrita. O art. 14, inciso II, alínea d, autoriza equipe externa de filmagem no parto quando a parturiente ou a família quiserem e o médico concordar. As imagens pertencem à paciente, pela nota da Codame, e qualquer uso pelo médico ou pelo hospital segue as demais regras do art. 14.
Posso postar o resultado da cirurgia?
Só no formato do art. 14, inciso II. O item 12 do Manual exige um conjunto de no mínimo quatro pacientes, em quatro etapas, com as complicações descritas, e diz que postagem de resultado de forma isolada não é permitida.
O formato do resultado, com os quatro pacientes e as quatro etapas do Manual, está em médico pode publicar antes e depois?. Outras pautas que cabem no perfil sem expor paciente estão em o que postar no Instagram de médico, e o resto da norma, permissão por permissão, em marketing médico: o que pode e o que não pode.
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