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O que postar no Instagram de médico: pautas que cabem na norma

Por Thiago Hilário · Atualizado em

O perfil de médico raramente trava por falta de formato. Trava por falta de assunto: a semana chega, o post não tem tema, e o feed fica três semanas parado. Esta página é sobre pauta, o que publicar, para o perfil pessoal do médico e para o da clínica.

Cada pauta abaixo vem com o limite que a Resolução CFM 2.336/2023 põe nela. Nenhuma depende de dança, trend ou exposição de paciente. Bio, identificação obrigatória e os erros de montagem do perfil estão em outra página, a de marketing médico no Instagram.

Seis pautas que não acabam

A pergunta que você responde toda semana no consultório

É a fonte mais farta e a que menos se usa. "É normal?", "quando devo procurar um especialista?", "isso passa sozinho?". Se três pacientes perguntaram a mesma coisa este mês, outros cem estão com a dúvida e não perguntaram a ninguém. Anote as perguntas durante a semana e o calendário do mês sai pronto.

Como é a consulta com você

Quanto tempo dura, o que levar, se precisa de exame antes, como marcar. Parece óbvio para quem atende todo dia, e é a dúvida que segura o paciente indeciso. O art. 9º, inciso IV, permite referência à forma de marcação, aos horários e à dinâmica de funcionamento do consultório. É também o post que vale fixar no perfil.

O ambiente e a equipe

Recepção, sala de exame, quem atende o telefone. O art. 9º, inciso I, permite foto e vídeo do ambiente de trabalho, da própria imagem e da equipe. A nota da Codame pede uma coisa em troca: retratar o lugar como ele é, porque o que aparece no post é o que o paciente espera encontrar.

Um caso da prática, sem o paciente

A nota da Codame aos arts. 7º e 8º autoriza o médico a expor exemplos da vivência prática, evitando identificar pacientes e limitando os comentários ao contexto clínico, com respaldo da literatura. Na prática: a situação, a dúvida que ela levanta e o que a literatura diz, sem nome, rosto, idade exata ou detalhe que permita reconhecer a pessoa.

O congresso, contado para o paciente

A foto no crachá fala com colegas. O que fala com o paciente é o que mudou: uma recomendação nova, um cuidado que passou a ser indicado, um mito que caiu. A mesma nota permite comentar artigos científicos e curiosidades em medicina, sempre baseado na literatura. O congresso vira pauta quando alguém que não é médico entende por que aquilo importa para ele.

O dia cirúrgico, pelo lado de fora da cirurgia

Preparo da equipe, a conversa antes de entrar, o médico paramentado, o fim do dia. Tudo isso é ambiente de trabalho e própria imagem, que o art. 9º, inciso I, permite. O limite está na execução: o art. 11, §2º, alínea d, trata como sensacionalismo apresentar em público a execução de procedimentos clínicos ou cirúrgicos, e o inciso VIII do mesmo artigo veda transmitir consulta e procedimento em tempo real, mesmo com autorização do paciente.

A caixinha de perguntas dos stories cabe em qualquer uma delas, com dois cuidados. O art. 6º, §1º, submete o conteúdo temporário às mesmas regras do feed. E o art. 11, inciso XI, veda oferecer consultoria a paciente como substituição da consulta. Pergunta geral se responde. Pergunta sobre o caso de alguém ("tenho isso, o que eu faço?") termina em "isso precisa de avaliação".

Em que proporção

A divisão que usamos com os médicos que atendemos é simples. Perto de metade do feed explica: doença, sintoma, mito, quando procurar. A outra metade fala do seu atendimento: como é a consulta, o procedimento explicado, a estrutura, a equipe. Vida pessoal entra pouco, e quando entra carrega alguma relação com o trabalho.

Especialidade que vive de encaminhamento muda a conta. O paciente chega indicado por outro médico, recebe dois ou três nomes e abre o Instagram para comparar. Ali, o conteúdo técnico escrito para o colega (caso comentado, critério de quando encaminhar) também convence o paciente, mesmo que ele não entenda tudo. Nesses perfis o feed pende para o público médico, e não vale simplificar o post técnico para "ficar acessível".

Perfil pessoal ou criar outro?

A norma não obriga a separar. A nota da Codame ao art. 13, inciso III, trata a rede mista, com vida privada e vida profissional no mesmo perfil, como ferramenta lícita de publicidade. O que ela exige está no art. 6º, §3º: quem mistura as duas coisas coloca na página principal do perfil a identificação do art. 4º. E o item 7.1 do Manual fecha o outro lado: perfil que só compartilha vida pessoal, sem falar de medicina, não precisa se identificar como médico.

A escolha, então, é de estratégia. Aproveitar o perfil pessoal traz os seguidores que já existem e a cara de quem atende, que é o que o paciente quer ver. Criar outro faz sentido quando a vida privada tem coisa que não deve ficar ao lado do consultório. Na dúvida, recomendamos um perfil profissional com a pessoa dentro dele, e o pessoal fechado para quem é de casa. O perfil da clínica é outro assunto: funciona como vitrine e quase ninguém o acompanha no dia a dia. Quem cria vínculo é o médico.

O que não vira pauta

Três pautas populares esbarram na norma. Resultado de paciente em post isolado não é permitido: o Manual exige um conjunto de pacientes em etapas definidas, explicado em médico pode publicar antes e depois?. Preço de procedimento fica fora do anúncio, e o da consulta pode entrar, como mostra médico pode divulgar o valor da consulta?. E repostar elogio de paciente tem teto, que a nota da Codame aos arts. 7º e 8º põe em duas vezes por semestre.

Selfie, por outro lado, está liberada pelo art. 8º, inciso III, desde que sem sensacionalismo nem concorrência desleal. O médico aparecer no próprio perfil nunca foi o problema.

Perguntas frequentes sobre o que postar

Quantas vezes por semana um médico deve postar no Instagram?

O número que você consegue manter por um ano. Duas publicações por semana durante doze meses rendem mais que uma semana de publicação diária seguida de silêncio, porque quem visita o perfil olha a data do último post. Com a pauta tirada das perguntas dos pacientes, o ritmo deixa de depender de inspiração.

Médico pode usar o perfil pessoal para falar de medicina?

Pode. A nota da Codame ao art. 13, inciso III, da Resolução CFM 2.336/2023 trata o perfil misto, com vida privada e profissional, como ferramenta lícita de publicidade. A condição está no art. 6º, §3º: a página principal do perfil passa a ter a identificação do art. 4º (nome, CRM com a palavra MÉDICO e, quando houver, especialidade com RQE).

Médico pode postar foto do centro cirúrgico?

Bastidor, sim: ambiente de trabalho, a própria imagem e a equipe estão no art. 9º, inciso I. A execução do procedimento, não: o art. 11, §2º, alínea d, trata como sensacionalismo apresentar em público a execução de procedimentos clínicos ou cirúrgicos, e o inciso VIII veda a transmissão em tempo real, mesmo com autorização do paciente. A exceção do art. 13, inciso IV, vale só para eventos científicos restritos a médicos e estudantes de medicina.

Posso responder dúvidas de pacientes na caixinha de perguntas?

Dúvida geral, sim, e costuma ser das pautas que mais rendem. Os stories seguem as mesmas regras do feed (art. 6º, §1º), e o art. 11, inciso XI, veda oferecer consultoria como substituição da consulta. Quando a pergunta é sobre o caso da pessoa, a resposta certa é indicar avaliação.

Médico pode postar selfie?

Pode. O art. 8º, inciso III, permite autorretrato, imagens e áudios nas redes sociais, desde que sem sensacionalismo nem concorrência desleal. O item 7.1 do Manual repete a regra para as postagens em rede pessoal.

Artigos e notas conferidos no texto integral da Resolução CFM 2.336/2023 e do Manual de Publicidade Médica do CFM em 19 de setembro de 2026. O quadro completo do que a norma permite e veda está em marketing médico: o que pode e o que não pode.

Quer um calendário de pautas montado a partir das perguntas que os seus pacientes já fazem?

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