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Quanto cobrar por consulta médica: a conta que forma o preço
Por Thiago Hilário · Atualizado em
O preço da consulta particular não sai de uma tabela que você copia, sai de uma conta que você monta: o custo de manter o consultório aberto, o seu pró-labore, as horas que realmente atendem e o posicionamento que você escolhe. A CBHPM entra como referência, não como regra, e o Código de Ética Médica cobra que o custo estimado seja ajustado com o paciente antes do atendimento.
Quem define o preço olhando só para o que o colega da porta ao lado cobra herda o erro do colega. A seguir, o caminho para chegar ao número por conta própria, o que a CBHPM resolve e o que ela não decide, e os limites que a ética impõe ao jeito de cobrar.
O que a CBHPM resolve, e o que ela não decide
A CBHPM é a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, publicada e mantida pela Associação Médica Brasileira com a colaboração de 54 sociedades de especialidade. A edição mais recente publicada pela entidade é a de 2022, conferida na página da AMB em 4 de outubro de 2026. A própria AMB a descreve como um padrão mínimo aceitável de remuneração do trabalho profissional.
Isso faz dela uma baliza, não um teto nem um piso obrigatório para a consulta particular. Onde a CBHPM pesa é na negociação com operadora de plano de saúde, que parte dela para ajustar o repasse. No particular, quem define o valor é você: a tabela serve para comparar o seu número com uma referência nacional, não para substituir a conta do seu consultório.
A conta que forma o preço
Some o custo fixo do consultório
Aluguel, secretária, software de agenda, contador, anuidade do conselho, limpeza, luz e internet. É o que o consultório gasta no mês mesmo que ninguém apareça. Esse é o piso que a agenda precisa cobrir antes de sobrar qualquer coisa.
Decida o seu pró-labore
Quanto você quer receber pelo seu próprio trabalho no mês, separado do lucro do negócio. Sem esse número a conta fica sem objetivo, e o preço acaba definido pelo que o vizinho cobra em vez do que a sua rotina pede.
Conte as horas que de fato atendem
Não as horas que a agenda fica aberta, as que realmente viram consulta. Desconte os buracos entre pacientes, as faltas e as semanas de férias. Dividir pelo número cheio de horas é o erro que faz o preço nascer baixo demais.
Chegue ao custo da hora e ao preço
Custo da hora é custo fixo mais pró-labore dividido pelas horas que atendem. O preço da consulta é esse custo da hora multiplicado pela duração do atendimento, acrescido da margem que cobre imposto, inadimplência e o risco de a agenda não encher. Abaixo desse ponto você trabalha de graça.
A conta a seguir usa números hipotéticos, redondos, só para mostrar o mecanismo, e não é média de mercado. Custo fixo de R$ 12.000 e pró-labore de R$ 25.000 somam R$ 37.000 no mês. Com 110 horas que de fato atendem, o custo da hora fica perto de R$ 336. Uma consulta de 40 minutos custa por volta de R$ 224 antes de qualquer margem. É o piso abaixo do qual o atendimento sai no prejuízo, e o preço cheio fica acima dele, para cobrir imposto, inadimplência e o horário que ficou vazio.
Troque esses valores pelos do seu consultório e a conta muda de resultado, mas não de lógica. O que ela entrega é um chão com fundamento, em vez de um número tirado da média do prédio. A mesma régua, aplicada ao custo de uma agência e ao ponto de equilíbrio, está em quanto custa o marketing de um consultório médico.
O preço é um sinal, não só um número
Acima do custo, o que decide o preço é o posicionamento. O mesmo atendimento pode ser barato e viver de volume ou seletivo e viver de margem, e o paciente lê o valor como recado antes mesmo de conhecer você. Preço baixo demais atrai quem decide por preço e troca por qualquer oferta, e afasta quem procura segurança. Preço alto sem reputação que o sustente trava a agenda.
Por isso o preço anda junto do resto: a ficha do Google com avaliações, o perfil que explica o que você resolve e a resposta que a recepção dá quando perguntam o valor. Mexer no mix de particular e convênio costuma render mais que baixar o preço, e o caminho está em como atrair pacientes particulares para o consultório.
O que o Código de Ética pede do preço
O Código de Ética Médica em vigor é a Resolução CFM 2.217/2018, alterada pelas Resoluções 2.222/2018 e 2.226/2019. Ele abre com um princípio que molda toda a conversa de preço: a medicina não pode, em nenhuma circunstância ou forma, ser exercida como comércio (Princípio Fundamental IX). O art. 58 completa, vedando o exercício mercantilista da medicina. Cobrar bem pelo seu trabalho não é mercantilismo; vender saúde como produto de prateleira é.
O capítulo da remuneração põe três limites objetivos no jeito de cobrar. O art. 61 veda deixar de ajustar previamente com o paciente o custo estimado do que será feito, então o valor precisa ser acertado com o paciente antes, não revelado na saída. O art. 62 veda subordinar os honorários ao resultado do tratamento ou à cura, o que derruba o preço que só se paga se der certo. E o art. 66 veda a dupla cobrança pelo mesmo ato, com complementação em serviço privado permitida apenas quando prevista em contrato. Esses artigos foram lidos no texto integral do Código em 4 de outubro de 2026.
Divulgar o valor é a etapa seguinte
Formar o preço é uma coisa, anunciar é outra, com regra própria. O valor da consulta pode ir ao anúncio, o do procedimento não, e o desconto tem condição que pouca gente conhece. O que a norma de publicidade permite nesse ponto está em médico pode divulgar o valor da consulta? e a forma de responder quem pergunta o preço pelo WhatsApp está em por que a secretária do consultório perde pacientes no WhatsApp.
Um cenário que a Bravum encontra com frequência
Exemplo montado para ilustrar, sem médico, clínica ou paciente real: um recém-formado abre consultório, pergunta a dois colegas quanto eles cobram e põe o preço no meio do que ouviu. Meses depois a agenda está cheia e a conta no vermelho, porque o número copiado nunca cobriu o aluguel da sala nova nem o salário da secretária contratada. O problema não era falta de paciente, era um preço definido pela média do prédio em vez da conta do próprio consultório. Quando o valor passou a sair do custo da hora mais margem, o preço subiu, a agenda afinou um pouco e o mês fechou no azul. O erro é quase sempre o mesmo: tratar o preço como pesquisa de vizinhança, e não como conta de gestão.
Antes de definir o preço, nesta ordem
- Levante o custo fixo real do mês, com todas as linhas, não as de cabeça.
- Separe o pró-labore que você quer do lucro que o consultório precisa reservar.
- Meça as horas que atendem de verdade, descontando buracos, faltas e férias.
- Compare o número que saiu da conta com a referência da CBHPM da sua especialidade.
- Decida o posicionamento antes de escrever o valor: barato e cheio, ou seletivo e sustentado.
- Combine com a recepção como o valor é acertado com o paciente antes da consulta, porque isso é obrigação de ética.
Perguntas frequentes sobre o preço da consulta
Existe uma tabela que diz quanto cobrar pela consulta particular?
Não existe tabela obrigatória para o particular. A CBHPM, publicada pela Associação Médica Brasileira, é referência, usada principalmente na negociação com planos de saúde. No atendimento particular quem define o valor é o médico, e o caminho seguro é partir do custo do consultório mais o pró-labore dividido pelas horas que de fato atendem, e só então comparar com a referência da CBHPM.
A CBHPM vale para a consulta particular?
Serve de baliza, não de teto nem de piso obrigatório. A AMB a descreve como um padrão mínimo aceitável de remuneração do trabalho profissional, e a edição mais recente publicada é a de 2022. Ela ajuda a comparar o seu número com uma referência nacional e pesa na conversa com operadora; no particular, a conta do próprio consultório é que decide.
Posso cobrar mais barato para atrair paciente?
Pode, mas o preço é um sinal antes de ser um número. Valor baixo demais atrai quem decide por preço e troca por qualquer oferta, e afasta quem procura segurança. Costuma render mais sustentar o preço e construir as respostas que o justificam, como avaliações e um perfil que explica o que você resolve, do que baixar o valor para encher a agenda.
Preciso informar o valor antes da consulta?
Sim. O art. 61 do Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018) veda deixar de ajustar previamente com o paciente o custo estimado dos procedimentos. O valor precisa ser acertado com o paciente antes do atendimento, não revelado na saída, e a recepção deve conseguir informar o preço quando alguém perguntar.
Posso cobrar só se o tratamento der certo?
Não. O art. 62 do Código de Ética Médica veda subordinar os honorários ao resultado do tratamento ou à cura do paciente. O honorário remunera o ato médico bem feito, não o desfecho, que depende de fatores fora do controle do médico. Prometer devolver o dinheiro se não resolver é, além disso, promessa de resultado na publicidade.
CBHPM conferida na página da Associação Médica Brasileira, e os artigos do Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018) lidos no texto integral, em 4 de outubro de 2026. Esta página cobre a formação do preço. Quando ele estiver definido, a ordem de montar a presença do consultório está em como divulgar um consultório médico.
Quer medir se o preço da sua consulta cobre o custo real do consultório e sustenta o posicionamento que você quer?
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