Reputação

Como um médico responde a uma avaliação negativa no Google

Todo negócio sofre com avaliação negativa, mas o médico responde de mãos atadas: o dono do restaurante pode contar a versão dele, você não pode. O sigilo cobre até a existência do atendimento, e é exatamente isso que a maioria dos guias sobre o assunto ignora, porque foram escritos para qualquer empresa.

A boa notícia é que a resposta certa existe, é curta, e uma avaliação ruim bem respondida costuma pesar menos do que parece.

O que nunca fazer, em ordem de estrago

Contar a sua versão do atendimento

É o impulso natural e é o pior movimento possível. Detalhar o que aconteceu na consulta confirma publicamente que a pessoa foi atendida, expõe informação coberta pelo sigilo e transforma uma avaliação ruim em uma infração sua. A defesa detalhada revela mais do que a acusação.

Confirmar que a pessoa é paciente

Mesmo quando ela se identifica e descreve a consulta, a confirmação continua sendo sua. Um simples que pena que sua consulta não atendeu a expectativa já valida o vínculo. A resposta segura trata a mensagem, nunca o atendimento.

Responder no calor

Avaliação injusta dói, e resposta escrita com raiva fica pública para sempre, ao lado do seu nome e do seu registro. A regra prática: nunca responder no mesmo dia em que leu. O texto que parece firme hoje parece descontrolado amanhã, e quem lê de fora julga o tom, não a razão.

Ameaçar processo na resposta

Anunciar medida judicial publicamente intimida quem está lendo, não quem escreveu. Para o paciente que pesquisa, médico que ameaça avaliador parece perigoso de contrariar. Se houver caso para a via judicial, ela corre em silêncio.

O protocolo de quatro passos

  1. Espere pelo menos um dia antes de escrever qualquer coisa.
  2. Responda curto: lamente que a experiência não tenha sido boa, sem confirmar que houve atendimento.
  3. Ofereça um canal direto, telefone ou e-mail do consultório, para entender e resolver.
  4. Encerre. Não responda à réplica pública, se houver. A conversa continua no privado.

Um modelo que cumpre tudo isso: Lamentamos a experiência relatada. Levamos qualquer manifestação a sério e gostaríamos de entender o que aconteceu. Pedimos que entre em contato pelo telefone do consultório para conversarmos diretamente.

Repare no que o texto não faz: não confirma consulta, não cita nenhum fato, não se justifica. Quem lê de fora vê um consultório sério que responde e acolhe, e essa é a única audiência que a resposta pública tem. O avaliador se resolve no privado.

Quando dá para pedir a remoção ao Google

Avaliação negativa legítima não é removível, e insistir nisso desperdiça energia. O que o Google remove é violação de política: conteúdo ofensivo ou discriminatório, avaliação claramente sobre outro estabelecimento, spam, e conflito de interesse, como concorrente ou ex-funcionário avaliando como se fosse paciente. A denúncia é feita pela própria ficha, e vale documentar com captura de tela antes.

O caso mais comum no consultório é a avaliação de quem nunca foi atendido: a pessoa que confundiu a clínica, o acompanhante irritado com a espera, o número de uma estrela sem texto nenhum. Denuncie pela ficha, responda com o mesmo protocolo, e siga. Sem confirmar quem é ou não é paciente, inclusive aí.

A defesa que funciona é feita antes

Uma avaliação ruim no meio de oitenta boas quase não move a nota e ainda dá credibilidade ao conjunto, porque ficha só com nota máxima parece filtrada. A mesma avaliação no meio de três é a primeira coisa que o paciente lê. O volume de avaliações verdadeiras é o amortecedor, e como construí-lo sem ferir a norma está em como conseguir avaliações no Google sem ferir o sigilo médico. As regras do que pode ser dito em nome do médico, em qualquer canal, seguem na Resolução CFM 2.336/2023.

Recebeu uma avaliação difícil e quer ajuda para responder sem se expor?

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